A entrada da Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi, atualmente à frente do terreiro, foi anunciada com o toque de clarins e atabaques. Mas esta não foi a única vez que os tambores do Afonjá foram ouvidos. Os atabaques do terreiro rufaram outras vezes para acompanhar a performance do cantor Portela Açúcar e o coral do Ilê Axé Opô Afonjá nos seus cânticos aos orixás.
A vereadora Olívia Santana, visivelmente emocionada, abriu a Sessão falando sobre a enorme responsabilidade de presidir um evento de tamanha grandeza. "Agradeço a Xangô por toda a força de que precisei para que esta homenagem se realizasse. Inúmeras foram as dificuldades, mas nós finalmente conseguimos e eu me sinto imensamente honrada de poder estar aqui, como mulher negra, reverenciando Mãe Stella e este terreiro que tanto representa para o candomblé", declarou entre lágrimas a vereadora.
Olívia apresentou um breve histórico do Ilê Axé Opô Afonjá, ressaltando os grandes feitos das cinco Ialorixás que ocuparam o trono do terreiro desde a sua fundação, em 1910, por Eugênia Anna dos Santos, a Mãe Aninha. "O Ilê Axé Opô Afonjá é um marco não apenas para o candomblé, mas para todas as mulheres que lutam por igualdade. Estas cinco mulheres estiveram por um século na direção de uma entidade que construiu a sua importância sob o signo da luta e da resistência", destacou a vereadora, que concluiu a sua participação pedindo a benção às Ialorixás e aos Babalorixás presentes e entregando uma placa à Mãe Stella de Oxóssi.
Homenagens
Mãe Stella agradeceu as homenagens e falou que elas representam o reconhecimento de uma luta secular iniciada por Mãe Aninha e mantida por Mãe Bada, Mãe Senhora e Mãe Ondina. "Esta sessão e outras homenagens que estamos recebendo são a mostra real da nossa luta, da luta do povo negro e do povo do Axé ao longo de todos estes anos pelo reconhecimento dos nossos direitos e da nossa fé", declarou a Ialorixá. Mãe Stella concluiu a sua participação desejando que o centenário de muitos outros terreiros também possam ser festejados.
A mesa do evento foi composta pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, pelo subsecretário da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Alexandro Reis, pelo deputado federal Luiz Alberto e pela secretária estadual de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, representando o governador Jaques Wagner. O vice-prefeito Edvaldo Brito também compôs a mesa ao lado da Promotora de Justiça da Cidadania, Márcia Virgens, da vereadora Vânia Galvão (PT) e do presidente da Sociedade Civil Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, entidade mantenedora dos diversos projetos sociais, culturais e educacionais desenvolvidos no terreiro, Ribamar Feitosa.
Plenário lotado
Além das Ialorixás e Babalorixás de terreiros de todo o estado, o evento contou também com a participação de diversas personalidades, como o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araujo, o secretário de Cultura do Estado, Marcio Meirelles, o diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Pola Ribeiro, além do ex-procurador geral de Justiça do estado, Lidivaldo Britto, do secretário municipal da Reparação, Ailton Ferreira e do ex-reitor da UFBA, Germano Tabacof. A Makota do Terreiro Tanuri Junsara, Valdina Pinto, e o prior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Júlio César, também estiveram presentes na cerimônia.
Os presidentes dos blocos Cortejo Afro e Filhos do Congo, Alberto Pita e Nadinho do Congo, respectivamente, prestigiaram a sessão ao lado de artistas, como Margareth Menezes, Tonho Matéria e Tânia Tôko, do Bando de Teatro Olodum, e dos vereadores Moisés Rocha e Gilmar Santiago, ambos do PT.